No limiar do digno e do não-digno
Se encontrou meio perdido
Por não saber ao certo, rindo
Encabulou-se tímido, tamanho poder atingido
Poder este meio vazio, transparente
Que não mede nem compete
Tampouco mexe onde deveria
Transforma pouco e aparece em demasia
Arquitetado pelos fascínoras iludidos
Maquinalmente moldado à revelia
Cresceu mais até do que queria
E solto assim, só faz estripulias
Qual remédio formulado solucionaria
Impasse este iniciado por teimosia
Quão fundo ele buscaria
Sem cansar nem pedir a beira
11.2.11
5.2.11
(A)balada
Sólida, alta, muralha maldita
Assombra minha vida rala
Separa de mim qual vala
Impõem uma comunicação falha
Salina deserta, triste e branca
Que me seca a garganta
Me murcha o ímpeto apaixonado
Racha aos poucos o certo
Promessas impensadas e nervosas
Conversas tortas, subliminares
Tento adivinhar parcialmente
Chego a criar algo bem diferente
Na confusão do fracasso
Volto pra casa conhecida
Deito na cama amassada
Crio uma desculpa sensata
Chega, chega, chega...
Assombra minha vida rala
Separa de mim qual vala
Impõem uma comunicação falha
Salina deserta, triste e branca
Que me seca a garganta
Me murcha o ímpeto apaixonado
Racha aos poucos o certo
Promessas impensadas e nervosas
Conversas tortas, subliminares
Tento adivinhar parcialmente
Chego a criar algo bem diferente
Na confusão do fracasso
Volto pra casa conhecida
Deito na cama amassada
Crio uma desculpa sensata
Chega, chega, chega...
3.2.11
Descoberta
Serei cavouqueiro de ti
Minhas mãos ásperas e grossas
Te abrirão ao meio com um escopro
Alvoroçado, vou me esbaldar na surpresa
Na alegria de perceber quão bela és
Serei também belo e iluminado
Me guiarás pelos caminhos das tuas entranhas
Que há muito não revelavas a outrém
Aos bocados exagerados
Entre risos e lágrimas
Lábios se encontram suados
Ardentes de paixão liberada
Caem as fronteiras do comportamento
Chegamos num campo neutro
Descobrimos algo novo em nós
Que faz do encontro mundo novo
Revelação
Estes falsos versos vazios
Confissões mentirosas e rasas
Não chegam onde deveriam
Não revelam o que queriam
Te encontro no local marcado
Mas tu não me esperava
Acreditava estar com outra pessoa
Que seria tua salvadora
Estes falsos versos de criança
Não me enganam mais
Passei a ver que no fundo
São uma máscara de alguém que não sou
1.2.11
Chuva
Sinto cheiro de chão quente
Água que escorre e banha
A terra sedenta e seca,
Um tronco musguento
Conduz o alívio à raiz
Muda o clima, atenua o calor
Brisa molhada de muito sabor
Me traga a calma necessária
E a paciência perdida,
Para a contemplação da vida
Faz rebrotar a esperança,
Nos seres que andam tristes,
De um tempo vindouro mais sadio
De mais alegria e entendimento,
Que evolua, nasça, surja, crie e molde
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