5.10.11

De novo

Circulares, audaciosas piruetas performáticas
Flutuam competindo por espaço no céu anil
Leve, vento empurra torta e pra cima
Se sai de prumo é pra não voltar pois
Boa notícia pr'alegria geral de quem só é
Só ser, chorar, rir, banhar e se despir da fumaça nebulosa e falsa
Secou a garganta a percepção do não retorno
Me doeu a garganta o desespero contido
Estufando demais tudo, será?
Derretendo e misturando junto
Se quero sumiço, é pra virar terra
Um bolsão que contenha tudo exalado
Lembranças terão pelo olfato denúncia
Sem meias palavras

Chama

A chama que sai de mim
Não é bem aquela que desejavas
Num sopro crescente, deitou pequena
Serena e fraca, repousou sobre ti
Que num movimento de acalanto materno
A manteve acesa ainda por mais um tempo
Mas foi mesmo só por compaixão
E isso logo se percebeu, no momento
Em que, lenta, esmoreceu silenciosa
Perdeu brilho, cor e calor por não se alastrar
E sobrou só o pavio inerte e sem vida