22.4.11

Admiração

Saiu de casa desesperado
Almejando ganhar o pão
Andou pelo asfalto quente
De Ponta Grossa a Campo Mourão
Prendeu o choro, tentou esquecer
A saudade da família, seu bem querer
Jogando assim a sorte ao vento
Logo perdeu a esperança
Confirmou o que sentia a tempos
Nesse mundo ele tem que sofrer

Faz outro caminho a qualquer lugar
Perdeu todo o sentido de estar
Furta o alimento, pede a bebida
É humilhado, apanha e não grita
Marca na pele sua revolta
Nela se afirma e comunica:
"Continuo aqui, não vou sair
Sou mais eu do que você
Só estou tentando sobreviver"

Sobreviver cansa seu corpo magro
Ossos a mostra, cara de cansado
Deve pensar qual o sentido de continuar
Se algum dia vida nova virá
Espera encontrar n'algum canto
Acalanto de mãe, descanso ao luar
Também quer respeito, merecido
Se pelo trabalho vai ser medido
Mostra os calos adquiridos
Foi enganado isso é certo
Não perdoa aquele que o fez
Prega vingança desejada
Roda esse asfalto quente
Representa sua gente
Imponha seu lugar
Minha admiração para sempre terá

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