6.1.11

consanguinidade

E aí tio. Beleza? Quem é você? O que você faz? Qual seu nome mesmo? Por que você é assim? Eu te conheço desde que sou pequeno não é? Mas você era diferente antes. Agora eu te odeio. Você é tudo o que eu acho errado. Você é tudo o que eu não quero ser. Ninguém sabe quem você é, nem eu. Nem quero saber. Você é um babaca. Você reforça o sistema vigente, você é a fruta podre. Eu te odeio. Você é a barreira que impede a mudança. Você é aquilo que lutamos contra. Você é o que não queremos mais na face do planeta. Você precisa ser eliminado.

Este pôr do sol não te pertence como você acredita. Este pôr do sol é de todos. Este pôr do sol é meu. Eu vejo ele de graça e ele é lindo, talvez mais do que pra você. Eu te odeio. Você reprime a sua mulher, ela não pode dirigir o seu carro, por que com ele você se sente poderoso. Você quer o poder, mas nunca o terá porque o verdadeiro poder é a liberdade. Liberdade de amar, de ser aquilo que realmente devemos ser.

Este pôr do sol é meu, é de todos. Ele é lindo e é de graça. A sua fama, as suas falsas conquistas, não são nada suficientes para que seu pôr do sol seja mais bonito que o meu. O meu pôr do sol é mais amarelo, mais vermelho, mais marrom. O meu pôr do sol tem cor de sangue. Sangue do meu amor. Meu amor por você, que não pode deixar de ser. Você é sangue do meu sangue. Vai ter que ser. Vai continuar a ser.

O meu pôr do sol tem uma montanha e uma vista beira mar. Pôr do sol de burguês. Não, pôr do sol de todos.

Ele está indo, a escuridão está vindo. Junto com o frio, que gela a minha alma, me põem em dúvida, me tira a coragem de te xingar.

Ele se foi muito mais rápido do que eu esperava. E num lapso de distração eu o perdi.

Aquele tempo que não volta é o que não deve voltar. A minha responsabilidade é de não deixar estar.

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